quarta-feira, 26 de maio de 2010

A FALÁCIA DA MERITOCRACIA

Segundo o dicionário, “meritocracia” é um sistema (p. ex., educacional ou administrativo) em que os mais dotados ou aptos são escolhidos e promovidos conforme seus progressos e consecuções; sistema onde o mérito pessoal determina a hierarquia. Este conceito tem sido especialmente lembrado em nossos dias para desqualificar alguns programas governamentais de discriminação positiva como o sistema de cotas nas universidades.

No entanto neste âmbito, trata-se de uma alegação cínica e hipócrita de quem a usa como suporte para perpetuar seus privilégios de geração a geração. Atribuir unicamente ao indivíduo seus fracassos e conquistas pode parecer convincente na visão turva que a elite brasileira tem do mundo real. Para esta elite é cômodo pregar que a conquista de degraus econômicos e sociais deva se basear no mérito, porque afinal seus membros estão melhor preparados para isso. E não só porque estudaram nas melhores escolas, frequentaram os melhores cursinhos de inglês, fizeram intercâmbio, etc., mas porque existe uma rede de relacionamentos que ampara os seus membros.

Qual o mérito de um filho da classe média ou rica em tirar o lugar do filho da faxineira na universidade pública. Não há merito algum, não há justiça, é praticamente um jogo de cartas marcadas. No entanto nossas classes média e rica, acham que ambos têm a mesma chance, são iguais, é só um contra o outro numa prova de conhecimento. Pura hipocrisia. Dizem: -Ah, mas se estudar, qualquer um pode passar no vestibular, rico ou pobre. É verdade, toda regra tem excessão, e a excessão é o filho da faxineira entrar na universidade, como provam todas as estatísticas. Mas não quero me prender muito neste aspecto, vou supor que as condições de acesso a universidade sejam iguais e continuar o raciocínio sobre a ideologia da meritocracia.

Recentemente o IPEA pesquisou o nível de emprego no Brasil e constatou que nas classes inferiores, mesmo com a melhora do próprio nível de escolaridade, o índice de desemprego continuava alto. Mais alto que nas classes mais altas para a mesma escolaridade. Vejam que é outro mito pregado pela elite: se o indivíduo se prepara através do estudo terá mais chances no mercado competitivo. Aqui entra o que falei no segundo parágrafo, a rede de relacionamentos. A rede de relacionamentos é o entorno do individuo, representado pela classe social a qual pertence. Esta é a armadilha da classe média e da classe rica para manter seu status dominante. Como funciona?

Mesmo sendo um aluno medíocre, ou não tenha alcançado grau, os filhos da classe média sempre terão uma rede de apoio dentro da sua classe. Poderá estagiar na empresa do pai do colega, trabalhar em algum emprego médio na loja da amiga da mãe, etc. Mas jamais será um faxineiro. Na classe rica os privilégios são ainda maiores porque ele já sairá como dono, portanto pulará os degraus que os demais precisam subir e será logo diretor ou sócio.

No Brasil a vida e o futuro do indivíduo são determinados pelo local de nascimento. Se nasce na favela ou se nasce nos Jardins ou Leblon. Como discutir desempenho e sua avaliação dentro de um contexto desigual como este. O conceito ideológico do mérito individual parece sedutor a princípio, mas torna-se instrumento de injustiça social quando não atribui importância a variáveis sociais como origem, posição social, econômica e poder político.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quem avisa, amigo é.

Um dia desses estava em uma mesa num café com alguns amigos e outros conhecidos. Em determinado momento da conversa sem percebermos estavamos discutindo religião e fundamentalismo religioso. No dia seguinte encontrei novamente um dos amigos que estava participando da discussão. Este amigo, por acaso lida no mercadode imóveis comprando e vendendo terrenos, e é muito religioso, participando de encontros de orações e cultos evangélicos. Ele então me disse: - Não gostei da conversa de ontem, não me senti bem. Não vou mais discutir este assunto. Ou seja, ele não admite sequer discutir religião. Qual a razão disto não sei, ou talvez saiba, mas perderia muito tempo agora tentando responder a isto. O que quero chamar a atenção é a diferença de atitude ou resposta desta pessoa em relação aos dois aspectos mais importantes da sua vida, o trabalho e a religião. Se não vejamos.

Suponhemos que ele por acaso encontrasse com alguém pouco conhecido, em uma mesa de café, e esta pessoa lhe oferecesse um grande negócio. Digamos, a compra de um terreno plano, firme, em área de expansão, viável a construção, por um preço a um décimo do mercado. Mas que este negócio deveria ser fechado ali naquela hora, senão não haveria negócio. Se este meu amigo sacar o talão de cheque e pagar ao sujeito o valor pedido, eu chamaria isto de fé. Mas conheço este amigo razoavelmente bem para afirmar com certeza que ele não faria isto. Certamente antes de pagar qualquer quantia ao vendedor, ele solicitaria a apresentação de todos os documentos de propriedade do terreno, certidões negativas de cartórios, consultas de viabilidade de construção e iria visitar o terreno para ver com os próprios olhos o que estaria comprando. Isto é razão.

Vejam só, no entanto não é assim que ele age em relação a crença religiosa. Ele acredita e não quer nem ouvir falar. Ou seja, ele esta pagando o terreno sem vê-lo, ele tem fé no vendedor.
Bom, e o que eu tenho a ver com isto? Devo dizer que a resposta “nada” me passou pela cabeça, mas aí eu pensei na história acima. Vamos supor que eu estivesse ao lado deste amigo na ocasião, ouvisse a proposta, e soubesse que o negócio era um embuste, que o sujeito era um notório mal caráter, e que meu amigo seria enganado. Deveria eu ficar calado? Me conformar que eu não teria nada a ver com isto? Ou eu deveria avisá-lo que ele não deveria confiar naquele sujeito porque tudo o que ele dizia eram mentiras?

Por isso, quando o assunto é crença religiosa, eu entendo que aqueles como eu, que já acordaram da ilusão religiosa e de seus malefícios, têm a obrigação moral de se manifestarem. Obrigação, como no exemplo acima, de avisar a um amigo que ele está sendo enganado. Afinal devemos ou não lembrá-los que a vida e a natureza são tão bonitas que não há necessidade de inventarmos mundos paralelos onde seres pairam sobre nós e nos vigiam.

Este tipo de dicotomia certamente não acontece só com o meu amigo. É a troca da razão pela fé. E o que é a fé senão crer em algo sem comprovação. As religiões sabem disso, por isso proclamam a fé, pois a fé não se discute. A fé é seu principal dogma. E porque? Porque elas e suas crenças não passariam pelo crivo da razão objetiva. Às religiões não se permitem dúvidas.

- E realmente o que se pode dizer de algo que não se discute? Não há nem o que discutir.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Argumentos contra a política de cotas raciais

Muito se discute no Brasil ainda sobre a política de cotas. De modo geral as pessoas que emitem alguma opinião contrária a política de cotas usa um ou mais dos argumentos que relaciono abaixo. Não pretendo discutir neste artigo os aspectos históricos envolvidos, que possivelmente justificariam uma possível política de reparação, mas apresentar fatos e dados que refutem os argumentos dos discursos contrários.

Argumentos contra a política de cotas raciais:

Primeiro: que a ação correta seria a melhoria do ensino público fundamental no Brasil, principalmente o ensino médio, que permitiria uma equiparação ou nivelamento de todos os candidatos ao ingresso na universidade.

Segundo: que a diferença principal entre ingressantes e não ingressantes na universidade no Brasil seria a econômica, ou seja, quem não ingressa na universidade é porque é pobre, independente da raça.

Terceiro: que o desempenho dos alunos beneficiados com as cotas, por serem oriundos de escola pública e não passarem no vestibular pelos meios normais, seria inferior ao dos alunos ingressantes sem as cotas.

Quarto: que não existem negros, ou que na verdade não existem raças diferentes, que não há branco, negro, amarelo, pardo,etc., portanto as cotas raciais são impraticáveis.

Quinto: que a constituição brasileira não permite a distinção por raça.

Sexto: que poderia causar o recrudescimento do rascismo no Brasil, ou seja, que política de cotas, poderiam aumentar a segregação racial ao invés de diminuir as diferenças.

Sétimo: que a vaga na universidade, bem como a ascenção a posições superiores em qualquer outra atividade, seria concedida por mérito.

O primeiro argumento, teóricamente está correto, no entanto pergunta-se: - o que se faz na prática para melhoria do ensino fundamental no Brasil? A décadas, desde que o Brasil é independente fala-se em melhorar a educação, repetindo “fala-se”. A décadas que escolas são sucateadas e que professores são marginalizados. Mas vamos supor que de uma hora para outra a sociedade se convença de melhorar o ensino, quanto tempo isto levará? Vamos dizer aos pobres e negros que esperem, que fiquem como estão por mais uma ou duas décadas? E não é esperando “deitado em berço esplêndido”, mas esperando na favela, no sub-emprego, na miséria, quando não na cadeia. Na realidade a situação hoje é esta: os negros correspondem a apenas 2% do contingente de universitários, apesar de representarem 45% dos brasileiros. E é nisto que a sociedade deve pensar, isto é um dado real, a melhoria do ensino fundamental é uma meta distante.

O segundo argumento tem muito a ver com o primeiro, numa relação de causa e efeito. A primeira vista o argumento parece verdadeiro, entretanto os números mostram que mesmo entre os pobres, o número de negros pobres está 47% acima dos brancos, ou seja, existem mais pessoas miseráveis negras do que brancas, e entre estas, os negros são os de menor salário e poder aquisitivo. A maioria (na realidade, uma minoria) dos alunos oriundos de escolas públicas que conseguem entrar em uma universidade pública no Brasil são brancos, ou seja, mesmo entre aqueles que conseguem vencer a diferença, os negros são minoria.

O terceiro argumento é um dos maiores preconceitos dos que são contra as cotas. Pesquisas em todas as universidades que adotaram as cotas mostram um desempenho superior dos alunos cotistas em relação aos demais. Em 2003, antes das cotas portanto, a Unicamp fez um levantamento em que descobriu que os egressos de escola pública, menos de 30% do corpo discente, apesar de enfrentarem maiores dificuldades materiais ao longo dos cursos, tinham médias 5% superiores aos demais. A partir desta constatação a Unicamp criou um sistema próprio de cotas aplicando 30 pontos a mais no vestibular para alunos de escolas públicas. Em 2005, a Unicamp comparou o desempenho dos 2.829 alunos que ingressaram no vestibular, nos quais 931 foram beneficiados pelos 30 pontos. Considerando somente a nota do vestibular (sem os 30 pontos) em apenas 4 dos 55 cursos os estudantes de escola pública tiveram notas superiores aos demais aprovados. Mas, no final do primeiro semestre letivo, os egressos de escola pública já estavam a frente de seus colegas em 29 cursos. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) fez em 2005 uma avaliação de desempenho do primeiro grupo de estudantes que ingressou na Universidade pelo Programa de Ações Afirmativas (Cotas). Os dados revelaram que, em 56% dos cursos, os cotistas obtiveram coeficiente de rendimento igual ou melhor aos não-cotistas.

O quarto argumento beira a hipocrisia, ou seja, apelar para a biologia celular e o microscópico DNA para excluir os negros mais uma vez. É obvio que do ponto de vista biológico somos todos iguais, mas o rascismo não tem nada a ver com biologia, é cultural e histórico, é uma sórdida criação humana, e se baseia sim na cor da pele. A segregação é latente, as diferenças sócioeconômicas são enormes, o preconceito é histórico. No entanto, quando o ojetivo é a reparação destes erros argumenta-se que não existem raças? Mas só quando o objetivo é este. Porque então que quando se fala em segregação, exploração ou discriminação a primeira imagem que vem a mente é a de um negro? Na verdade todos sabem quem é a pessoa a que nos referimos por negros, mas o medo ou receio de dividir sua posição social, turva a vista e a mente do branco.

O quinto é o argumento legal ou juridico no qual se penduram os discursos contrários as cotas raciais. Vejamos o que diz a constituição. Sempre citado pelos que são contra a política de cotas, o inc. IV do art. 3º da C.F. diz: “Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: ... IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Mas se esquecem que no mesmo artigo temos antes do inciso IV, o inciso I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; e o inciso III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Ou seja, está na constituição brasileira sim que é função do estado reduzir as desigualdades e erradicar a marginalização. Outro argumento jurídico é o de que todos são iguais perante a lei, porém, como diria Millor Fernandes, uns são mais iguais que outros. No entanto, outro aforismo do direito diz: “não se pode tratar desiguais como iguais”.

O sexto argumento não tem o menor fundamento. Não há qualquer base ou motivação suficiente para ensejar qualquer tipo de atitude rascista dentro da política de cotas. O fato de parte das cotas serem destinados a pessoas autodeclaradas negras não significa racismo. Racismo é a forma de pensamento em que determinados indivíduos se acham superiores a outros baseados em características físicas hereditárias ou manifestações culturais. O fato de uma pessoa se autoafirmar negra, ou usar camisetas, botons ou outras formas de demonstração do que ela é, não é absolutamente uma atitude racista. O racismo é condenado universalmente e rigidamente punivel pelas leis brasileiras.

O sétimo argumento quer reduzir tudo o que acima foi afirmado, ao esforço pessoal, à dedicação desprendida na preparação para o vestibular, ou seja, o mérito. Quem não se aplica não passa no vestibular. Neste quesito é que não há comparação. Então trabalhar na infância e juventude, ser o único sustento da família muitas vezes, cuidar de pais e irmãos menores, não são responsabilidades. Talvez maiores que o vestibular quando se trata da própria sobrevivência. E ainda ter que estudar longe de casa, e a pé, não ter material escolar adequado, e frequentar aulas muitas vezes a noite. Comparar estes com aqueles que não tem obrigações com o sustento da família, cujo único dever é o estudo, que estudam em escolas particulares, têm aulas de reforço, cursos de línguas, intercâmbios internacionais, boa alimentação e transporte. Quem é o mais dedicado? De quem é o mérito?

Termino este artigo afirmando que não considero a política de cotas uma solução em si, mas que tendo em vista as graves distorções sociais em que vivemos e o estado em que vive a maioria da população brasileira, é uma necessidade imediata.

Tambem posso dar um testemunho de experiência pessoal, pois sou professor de escola pública de nível médio, fato que me orgulha, a mais de 25 anos, e posso afirmar que mesmo sendo pública, que alunos negros em minhas classes não passaram de uma dezena nestes 25 anos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O PRESIDENTE DISSE "SIFU"

O Presidente Lula, discursando para uma plateia numa favela do Rio de Janeiro, usou uma analogia para explicar sua postura diante da crise econômica, Lula, de improviso, disse: "Se um de vocês fossem médicos e atendesse a um paciente doente, o que vocês falariam para ele? Olha, companheiro, o senhor tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência avançou, nós vamos dar tal remédio e você vai se recuperar. Ou vocês diriam: ‘meu, sifu’?. Vocês falariam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam".

Esta frase deixou a elite brasileira revoltada: - Isto não é linguajar apropriado para um presidente da república; - Um presidente não deveria se manifestar desta forma; - Só podia ser o Lula mesmo; etc. E como espelho desta elite, as televisões, jornais e revistas, não deixaram por menos e asseveraram a mesma repulsa.

A própria chegada de Lula a presidência já foi um grande choque para as elites e imprensa de modo geral, afinal um operário, nordestino, pobre, sem um dedo, sem escolaridade, não é propriamente o perfil de presidente esperado. Pelo menos o perfil que eles têm na cabeça. Dessa forma, a fala de Lula só vem a se somar a este sentimento que as elites e a direita cultivam, a incompatibilidade de Lula com a presidência.

Muito já se falou da falta de estudo de Lula, de seus erros de português, de sua simplicidade quase tosca, mas esta é uma visão estereotipada do homem. Lula apesar de não ter estudado regularmente, mostra uma incrível capacidade de aprender, e de um modo todo peculiar seu, aprende de ouvido. Quem acompanha seus discursos já percebeu o grande aumento de seu vocabulário e a diminuição de erros de concordância. Lula com seu jeito simples de falar, usando metáforas, contando histórias, comparando política com futebol, alcança a todos. Todos entendem o que Lula fala, e com isso ele atinge o coração do povo. Por isso ele bate recordes de satisfação a cada pesquisa, chegando a quase 80% de aprovação.

Da mesma forma que Lula fala a língua do povo, é capaz de falar a empresários e governantes estrangeiros, com a mesma simplicidade vernacular, indo da economia brasileira às finanças internacionais. Ou seja, tem a habilidade de falar conforme o público ouvinte.

Mas isto é chover no molhado. Por isto quero voltar ao ponto mais importante disto tudo: o uso da linguagem. Não é necessário recorrer a compêndios ou dicionários para perceber que o objetivo principal do uso da linguagem é se comunicar. Esta operação pode ser feita pela fala, pela escrita e por gestos. E para a comunicação ser completa é necessário que quem receba a mensagem entenda o recado, para falar de modo bem simples. Povos são unidos por suas linguas, famílias têm seus próprios códigos, “tribos” têm sua própria linguagem, etc. Ou seja, a lingua e a linguagem são usadas para unir as pessoas e não para afastá-las.

Mas quando alguém usa de alguma forma de linguagem, que não consegue ser entendida pelos que o estão ouvindo ou lendo, para mostrar aparente erudição, na verdade mostra a cara do elitismo, está afastando as pessoas, negando a elas o entendimento da questão, quando não, um direito reconhecido. Exemplos não faltam no Judiciário, com o uso de termos em latim e grego e de palavras de significado desconhecido por serem pouco usadas no vocabulário coloquial.

Para finalizar eu vou colocar a seguir um trecho de outro discurso pronunciado pelo “analfabeto” Lula em Belo Horizonte, em 26 de setembro de 2005: "Lula não é Lula; é uma parte do povo deste País, que adquiriu consciência política. É por isso que eu não caio. Porque eu não sou sozinho. Na hora em que tirarem as minhas pernas, eu vou andar pelas pernas de vocês; na hora em que tirarem os meus braços, eu vou gesticular pelos braços de vocês; na hora em que tirarem meu coração, eu vou amar pelo coração de vocês. E na hora em que tirarem a minha cabeça, eu vou pensar pela cabeça de vocês. Eles deveriam ter aprendido com Tiradentes. Não basta matar; não basta esquartejar, não basta salgar a carne e pendurar no poste. Porque a carne você mata e ela apodrece, mas as idéias estão perambulando pelas brisas deste País, querendo liberdade, querendo direito, e isso nós temos de sobra para dar".

domingo, 7 de dezembro de 2008

Católicos praticam idolatria

Foto: Suzi Padilha


Leio esta reportagem no diario.com.br em 06/12/2008, “Fiéis homenageiam Nossa Senhora da Boa Viagem”. O evento ocorreu na baía sul em Florianópolis, promovido pela Paróquia do Saco dos Limões, com uma procissão marítima em homenagem a esta santa.

É costume ou tradição na religião católica a adoração de imagens de santos, como o desta reportagem. No caso de Maria, Nossa Senhora, a presumível mãe de Cristo, não faltam imagens com nomes próprios que são fervorosamente adoradas pelos fiéis, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora Auxiliadora, Nossa Senhora do Carmo, etc. São todas imagens e os fiéis adoram estas imagens.

Outro foco de adoração são as imagens relativas às ditas aparições marianas como, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Medjiugorje, etc. Ao todo são 55 os nomes dados a Nossa Senhora.

Sem entrar no mérito da veracidade das aparições em si, mas em todos esses exemplos trata-se da mesma criatura que pode ter aparecido nesses e noutros lugares. Alguns católicos já tentaram me explicar que esta adoração às imagens é só pra lembrar da divindade, como uma fotografia. Mas na realidade o que acontece é bem diferente. Se Nossa Senhora de Lourdes é a mesma que Nossa Senhora de Fátima, não haveriam devotos de uma e de outra, promessas para uma ou para outra, romarias à uma ou outra, milagres creditados a uma ou a outra. E cada uma tem sua própria data comemorativa. Este exemplo serve para as outras aparições e imagens.

Pois bem, a adoração ou culto divino de imagens ou ídolos é idolatria. Os fatos acima servem para confirmar que a religião católica pratica a idolatria de imagens. A adoração de ídolos tão condenada pelas escrituras sagradas por serem praticadas pelos pagãos, é praticada e incentivada pela cúpula da igreja.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Cena patética


Dei de olhos nesta cena e não posso deixar passar em branco.

Não tinha entendido este tal de desafio internacional das estrelas, me parecia uma brincadeira de fim de ano de alguns mauricinhos entediados, então confirmei que é brincadeira sim, só que financiada com dinheiro público.

Olhem a placa ao fundo da foto, Fundesporte e Governo do Estado. Tem mais a prefeitura de Florianópolis ainda. No total foram R$ 2.000.000,00 em patrocínio público para estes boçais brincarem de carrinho.

E ainda têm a desfaçatez de doarem a merda de 50 paus para as vítimas das enchentes, os mesmos que pagaram para eles brincarem. Dá nojo.

E agora governador? Como explicar este "investimento" na divulgação do estado?

E será que Vossa Excelência não tinha nada mais importante prá fazer do que ir lá prá receber este cheque falso?

Eu não tenho nada contra estes caras quererem se divertir, mas não com dinheiro que poderia ter outro destino mais nobre. Mais isto não passou pela cabeça de Vossa Excelência, não é?

Que cena patética, os dois mauricinhos cansados de jogar golfe e o ridículo do governador (parece o Amigo da Onça, não tem?).


sábado, 29 de novembro de 2008

Milagres não existem

“Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las”
Alan Kardec

Não sou espirita e não comungo das idéias de Alan Kardec, mas achei que esta frase de um de seus livros, explica bem a contradição da idéia de milagre.

O milagre é um fato extraordinário, que quebra o fluxo natural dos acontecimentos e quase sempre em desobediência as leis da ciência conhecida. Nas religiões o milagre é sempre atribuído a intervenção divina. E no cristianismo é a prova da existência divina. Atribui-se a Jesus uma série de milagres como, andar sobre as águas, transformar água em vinho, multiplicar pães e peixes, curar enfermidades como a cegueira, a paraplegia e ressucitar mortos.

Até os nossos dias os milagres de cura de doenças são os que mais impressionam as pessoas de fé, funcionando como reforçadores da fé, já que são propalados como resultado da interferência de deus. Os demais milagres de Jesus já não impressionam mais ninguém e por isso não vemos na tv, pastores ou padres tentando andar sobre as águas ou multiplicando pães e peixes. Por outro lado também, e isto já faz mais de 2.000 anos, deus não ressucitou mais ninguem.

Mas a pergunta é: - Que tipo de pessoa mereceria esta consideração divina, ser agraciada com a cura de alguma enfermidade? Ou: - O que deveria fazer uma pessoa para ser ouvida por deus e receber um milagre de cura? Estas perguntas me parecem lógicas porque o número de pessoas que precisariam de um milagre de cura na história da humanidade, exorbita em milhões de vezes o número de pessoas beneficiadas por deus. Porque este privilégio para tão poucos?

Vou tentar responder a primeira. Acho que a pessoa deveria ser crente. Ou seja, que creia na existência de deus e que ele possa operar um milagre. Mas então deus não teria nenhuma compaixão ou indulgência com aqueles que acreditam em outro deus ou não acreditam em deus nenhum? Os indígenas são um dos exemplos. Os indígenas então não merecem a consideração de deus. Mas aí entra a segunda pergunta, não basta ser crente, tem que pedir. É, deus exige que para ele operar um milagre o crente deverá invocá-lo e suplicar através de preces. Porque apesar de deus ser oniciente, tudo saber, portanto deveria saber quem são os doentes, ele gosta de ser solicitado.

Neste momento dúvidas sobressaltam a minha frente: - Mas não foi deus que criou as doenças também? - E porque ele, ao invés de curar o cego, por exemplo, não elimina a própria cegueira?

Voltando aos milagres surge outra pergunta: - Quantas preces, orações, sacrificios e promessas são necessários? Deveria haver um valor estipulado, porque o que se observa são os crentes se debulhando em rezas e mais rezas e nada. Nada acontece. Porque então deus escolhe alguns, alguns até que não rezaram muito? Duas poderiam ser as possibilidades. Primeiramente deus responder quais são os seus critérios e estaria explicado porque alguns são “curados” e a grande maioria não. E a segunda, aquela que os crentes não gostariam de ouvir: - Milagres não existem e nunca existiram! Ninguém jamais foi curado por ajuda divina.

-Ah, mas existem milhares de relatos de curas espalhados pelas igrejas do mundo. Poderia me responder algum crente. Na verdade relatório com manifestação explícita do meio científico de que algum enfermo foi curado por algo não natural, intervenção divina por exemplo, não existe. O que existem são relatos de muito pouca credibilidade, feitos por pessoas comuns, sem o devido método científico necessário para verificar a veracidade da ocorrência.

Observem. Quais os tipos de doença mais “curados”? Ora, são as doenças invisíveis, aquelas que não aparecem pelo exterior do enfermo, e que portanto são de difícil comprovação. Alguem já soube da cura de um amputado? Não, e jamais verá. Porque é uma cura visivel, palpável e indubitável, mas que jamais houve ou haverá.